Uma importante reflexão para familiares de dependente químico

por Tauama de Moraes
CRP 11 - 07100

Você que é mãe ou pai e tem um filho dependente químico, provavelmente já recebeu questionamento dos outros filhos ou se sentiu mal por pensar que dava um tratamento diferenciado para o filho “problemático”. Assim como, caso você seja irmão de um dependente já pode ter se sentido deixado de lado na relação em família. Isso é completamente normal de acontecer. Por isso, a Mara Bastos emprestou esse texto para nós e eu acredito que trará uma bela reflexão. Leia.

O filho pródigo: compaixão e amor

Traduzir sentimentos, sensações e memórias pode refletir saúde, mas nem por isso deixa de ser melancólico, triste. Somos o que vivemos ao longo da vida, principalmente na infância quando estamos descobrindo as cores do mundo. Nessa fase, quando crianças, aprendemos valores, princípios e a interagir com as pessoas, a partir do olhar amoroso ou compassivo dos pais. Em geral não temos essa noção, mas tudo começa muito cedo: a maneira de enxergar o outro e de se fazer notar.

A vivência familiar harmoniosa traz muitos benefícios, principalmente o fortalecimento de laços afetivos, ao contrário das relações conflituosas que por vezes transcendem gerações levando crenças, bloqueios e traumas, dificultando a evolução espiritual.

Nesse contexto, a parábola do filho pródigo (Lucas, 15;11-32) é um exemplo: o filho, que depois de desperdiçar toda a herança, arrependido e com necessidades, retorna a casa sendo recebido pelo pai de braços abertos, “porque ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado”, sendo por isso, motivo de alegria.

Por outro lado, revoltado o irmão mais velho não compreende a reação do pai, pois permanecera ao lado dele trabalhando, sendo fiel durante toda a vida e não obtivera o merecimento na mesma medida. Então questionou o pai, recebendo em resposta: “Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu”.

Sobreleva a sabedoria e o amor desse pai que acolhe o filho que pensara estar morto, porém compadeço-me do sentimento do mais velho que, apesar do esforço, dedicação e trabalho, não se sentiu valorizado. Creditar a esse filho o que merece foi justo, ao lhe responder o pai : “Tudo o que tenho é seu”.

Não é outra a situação em que vivem muitas famílias. É comum ouvir que um de seus membros costuma ser motivo de preocupação e por isso atrai a atenção dos demais. Essas pessoas, apesar da elevada carga de doação que recebem, em geral não aprendem a retribuir fazendo parecer que existe uma dívida para com ela. E nesse padrão de funcionamento a teia familiar se desenvolve.

Passam-se os anos e tudo permanece no mesmo padrão. Uns cuidando dos outros, mas sempre assistindo àquele que necessita de mais atenção. Nesse contexto, igualmente como na parábola, o filho que dá frutos não tem visibilidade, parecendo-lhe que desempenha o seu papel por designo, apenas.

É compreensível o sentimento de revolta do filho mais velho, pois não fora valorizado pelo pai na medida do que esperava, apesar de lhe ser fiel. No cotidiano, vive-se algo parecido. Nas famílias uns se sobrepõem aos outros na defesa de interesses próprios.

Nesse cenário, o melhor caminho para acolher o filho que regressa é o da compaixão e do amor, e para o outro, o mais velho, do reconhecimento e amizade sincera. Todavia, apesar da receita parecer simples, reconheço quão difícil é a tarefa de cuidar dos filhos, únicos na essência.

O amor dos pais é o maior presente de Deus para os filhos e quando ele se manifesta, até mesmo numa centelha de vida, temos a certeza de que somos abençoados em abundância. A gratidão é o caminho para o reconhecimento dessa dádiva.

Autora: Mara Bastos

Fortaleza, 13 de julho de 2021

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