Crise de abstinência: absolutamente tudo que você precisa saber

por Tauama de Moraes
CRP 11 - 07100

Ela é o conjunto de sensações e sintomas do organismo que funcionam como uma resposta a falta de uma substância química.

Embora pareça simples, é preciso tomar muito cuidado e aqui nós explicamos tudo que você precisa saber sobre o que é a crise de abstinência, perigos, cuidados, relação com a dependência e muito mais.

O que é a crise de abstinência?

A crise de abstinência, também chamada de síndrome de abstinência, é uma reação do corpo e da mente pela falta de uma substância, que podem ser as drogas.

Com sintomas com caraterísticas que podem ser sociais, biológicas, psicológicas e morais, podendo variar conforme a substância em ausência ou os hábitos de consumo.

As crises podem causar desconforto mental, agitação, agressividade, angústia intensa, mas também desconfortos físicos, incluindo, alteração da frequência cardíaca e tremores.

Entenda a diferença dela para a fissura, quais são os sintomas, os riscos, tratamento e muito mais.

Causas da crise de abstinência

Independentemente de serem usadas em pouca ou muita quantidade, as drogas podem ter um forte efeito em nosso organismo, afetando o funcionamento de maneira geral.

Isso acontece porque seus efeitos agem direto no cérebro, mais precisamente no Sistema Nervoso Central. Elas são classificadas, inclusive, conforme atuam nele, como drogas depressoras, estimulantes e perturbadoras.

No entanto, independentemente da sua ação no sistema nervoso central, elas atingem em cheio o sistema de recompensa.

O sistema de recompensa é o setor responsável por processar as informações que trazem satisfação e prazer. Logo, se o sistema de recompensa detecta uma sensação de prazer após uma ação, ele registra e vai querer mais.

Por isso que a dependência química é uma doença, pois pode passar a ser incontrolável em determinado momento.

Com o passar do tempo, o cérebro se torna mais insensível, por isso, que é uma doença progressiva, pois a pessoa tende a consumir cada vez em maior quantidade e com mais frequência.

Mesmo mais insensível, o organismo se adapta a presença constante da substância, acaba tentando se equilibrar e isso passa a ser o novo normal.

Por vezes, o dependente pode buscar a droga não para sentir mais o prazer que ela oferece, mas para buscar o equilíbrio ao qual estava habituado.

Com o organismo adaptado ao consumo, quando há redução ou falta da substância, o sistema nervoso central fica sensível e estimulado. Então, começa a causar os incômodos, desconfortos e demais sintomas de abstinência.

Como as drogas agem no cérebro

Para entender por que as crises de abstinência podem ser tão fortes e prejudiciais, mas até porque elas acontecem, é preciso saber como as drogas agem no nosso organismo.

As drogas agem diretamente no sistema nervoso central, o sistema que recebe e processa informações. A classificação de drogas, como falamos anteriormente, é feita conforme os efeitos causados nessa parte do cérebro.

As drogas são classificadas entre depressoras, estimulantes e perturbadoras do sistema nervoso central.

Depressoras

As drogas depressoras são, por exemplo, álcool, morfina, opio, ansiolíticos e sedativos. Elas são chamadas assim porque diminuem a atividade cerebral, causando sintomas como sonolência, diminuição da respiração e até atenção e memória.

Perturbadoras

As drogas perturbadoras ou alucinógenas são, por exemplo, LSD, ecstasy e maconha. Elas causam alucinações, delírios, alteram os pensamentos e até mudam a percepção de espaço e tempo.

Estimulantes

As drogas estimulantes são aquelas que aumentam a atividade cerebral, causando muita excitação, ansiedade e sensação de coragem. Algumas drogas dessa categoria são, por exemplo, cocaína, crack e nicotina. 

Mas por que as pessoas ficam viciadas?

Até aí tudo bem, afinal, embora usar drogas seja contra lei, muitas pessoas fazem e nunca se tornaram dependentes ou passam por uma crise de abstinência.

Acontece que os efeitos que essas drogas causam no cérebro, sejam as drogas perturbadoras, depressora ou estimulantes, causam sensações que algumas pessoas podem querer sentir novamente, graças ao sistema de recompensa. 

Quando o uso se torna constante e passa a ser incontrolável existe um indício de que o uso passou de recreativo para dependente.

Fatores de risco para dependência química

Algumas pessoas possuem mais riscos de desenvolver a dependência química, embora possa acontecer com qualquer um.

A genética é um fator de risco, por isso se alguém tem um adicto na família tem mais probabilidade de também se tornar um, seja na mesma substância ou não.

Os fatores ambientais também são importantes, por exemplo, crianças e adolescentes negligenciados pelos pais ou que sofreram algum abuso tem mais probabilidade de desenvolver a dependência

Pressão das pessoas ao redor, colegas que consomem e podem forçar a barra para que os outros adolescentes se adaptem, por exemplo, também pode ser crucial para experimentar e viciar. 

Isso não quer dizer que essas pessoas irão aceitar ou que se tornarão dependentes, mas sim que a pressão do meio pode influenciar no uso.

Para ter crise de abstinência precisa ser dependente químico?

Para que uma crise de abstinência aconteça o organismo precisa estar habituado à substância, como no uso compulsivo, e passar por uma parada abrupta.

Isso não necessariamente precisa acontecer com drogas ilícitas, mas sim com drogas como a nicotina e mesmo medicamentos de uso crônico.

Podemos chamar de dependência física, ou seja, quando o corpo/organismo possui costume com a substância, seja por dependência ou porque precise usar constantemente, como no caso dos remédios.

Diferença entre abstinência e fissura?

Além da abstinência, também existe outra sensação que ocorre com a falta do consumo de drogas. Chamada de fissura ou craving. Muitas pessoas confundem os dois, mas a gente explica as diferenças aqui.

Enquanto a abstinência é o conjunto de sintomas físicos e mentais causados pela falta da droga no organismo, a fissura é uma necessidade, uma vontade, que muitos dizem ser pior que a fome.

Outra diferença é que a fissura também não traz sintomas físicos, estando mais relacionada a pensamentos obsessivos, memórias eufóricas e articulações sobre como obter a substância.

Ambas, muitas vezes, são responsáveis pelas recaídas. Afinal, enquanto uma funciona como uma espécie de tortura (abstinência) a outra se relaciona com uma vontade extrema de consumir (fissura). Muitas pessoas acabam voltando a usar porque querem que os sintomas cessem.

Sintomas de fissura “craving

Ela é mais apresentada nas manifestações de pensamento, podendo variar de pessoa para pessoa. Além disso, os sintomas também podem variar conforme a droga consumida.

Enquanto a crise de abstinência para em algum momento, a fissura ainda pode vir tempos após parar de usar drogas, pois os pensamentos e as memórias ainda estarão lá.

Em quanto tempo sem uso começa a crise de abstinência?

O tempo em que começa uma crise de abstinência pode variar bastante, pois dependem de alguns fatores, por exemplo, substância consumida e os hábitos de consumo.

No entanto, ela normalmente surge após 6 a 24 horas de interrupção da ingestão, no caso, quando a pessoa é dependente.

Quanto tempo dura uma crise de abstinência?

A crise pode durar entre um mês ou um mês e meio, no entanto, o tempo e sintomas variam de acordo com as características do consumo.

O tempo de duração depende de alguns fatores. Por exemplo, da substância consumida, período que a droga leva para sair do organismo, problemas preexistentes (como quadros psiquiátricos) e as características psicossociais e biológicas do próprio paciente.

Drogas que causam crises mais graves de abstinência

Segundo, Claudio Jeronimo da Silva, psiquiatra da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), drogas como heroína e derivados do ópio causam os maiores estragos na síndrome de abstinência.

Antony Wong, da USP, completa indicando que isso, provavelmente, acontece porque a droga age como um sedativo no organismo. A ação profunda no sistema nervoso central e a capacidade altamente viciante, que causam séria depressão após ouso, também podem ser uma razão para uma crise mais séria.

Outras drogas com sintomas físicos claros são o crack, álcool, nicotina, tranquilizantes e barbitúricos, remédios para insônia. 

Outras drogas como a maconha e a cocaína também podem causar abstinência, mas os sintomas normalmente não trazem diretamente reações físicas tão fortes. As reações são comumente ansiedade, comportamento violento e nervosismo.

Fonte: Super Abril  

A droga muitas vezes é usada não só para satisfazer

Em uma crise de abstinência uma pessoa usa a droga não apenas por prazer, mas muitas vezes, para que os sintomas de abstinência sejam interrompidos.

Por isso que passar por ela é uma parte muito importante no tratamento de dependência química.

Sintomas de abstinência

Os sintomas da crise de abstinência podem ser graduais, ou seja, quanto maior o tempo de ausência mais forte os sintomas.

Além disso, esses sintomas podem variar de acordo com a substância consumida.

Crise de abstinência de drogas estimulantes

Algumas drogas estimulantes são: cocaína, crack, merla e nicotina, por exemplo.

Sintomas:

  • Inquietação
  • Dor de cabeça
  • Falta de concentração e foco
  • Irritabilidade
  • Sono em excesso
  • Fadiga e
  • Depressão

Esses são os principais sintomas ligados as substâncias estimulantes do sistema nervoso central. Além desses sintomas, quando apresentados de maneira mais grave, podem se tornar incapazes de sentir prazer, ter depressão e ainda constante ideação de suicídio.

Crise de abstinência de drogas depressoras

Algumas drogas depressoras são: álcool, inalantes, soníferos, antidepressivos e ansiolíticos, por exemplo.

Sintomas:

  • Excesso de suor
  • Temperatura corporal elevada
  • Aumento da pressão arterial
  • Insônia
  • Ansiedade
  • Tremores
  • Taquicardia
  • Respiração acelerada e
  • Agitação.

Os sintomas podem ser apresentados de forma leve, intermediaria ou grave. Quando apresentados de forma grave, são mais intensos e podem ocorrer alucinações.

A crise de abstinência de álcool pode começar em pouco tempo, cerca de horas desde a pausa. Causando sintomas como, inquietação, problemas gastrointestinais e tremores nas mãos.

O que fazer com uma pessoa em crise de abstinência?

Quando uma pessoa enfrenta uma crise de abstinência é sinal de que ela parou abruptamente o consumo de uma substância química e seu corpo está tendo reações a isso.

Além dos sintomas que falamos acima, também acontecem:

  • Confusão mental
  • Irritação
  • Apetite aumentado
  • Sono alterado
  • Comportamento imprevisível

A abstinência é um assunto muito sério, pois as reações podem ser as mais inesperadas e pode colocar em risco não só a vida da pessoa, mas das que estão ao seu redor.

Por isso que pacientes em tratamento de reabilitação são acompanhados por diversos profissionais e, muitas vezes, precisam ser medicados para passar pela desintoxicação.

Assim, se alguém estiver passando por isso próximo a você, indicamos que busque ajuda especializada para que esse processo seja feito com mais segurança.

Risco de morte em crises de abstinência

A crise de abstinência pode levar a morte, por isso que é muito importante que a pausa do uso de substâncias químicas, ou processo de desintoxicação, seja assistido em tempo integral.

Durante o processo, o dependente pode sofrer falência cardiorrespiratória, ter paranoias, convulsões, confusão mental com falta de noção de tempo e espaço, perturbação da consciência e vômitos.

Portanto, o acompanhamento profissional é muito necessário, tanto para observar possíveis complicações quanto para ajudar com medicamentos e atividades que podem auxiliar ao tratamento.

Fazer esse processo de desintoxicação em casa pode ser perigoso, por isso, opte por uma clínica. Opte pela Casa Despertar.

Crise de abstinência no tratamento da dependência química

A abstinência acontece sempre em um tratamento para dependência química, afinal, faz parte do tratamento parar o consumo total da droga.

O momento de crise é muito delicado, pois como você viu até agora, a pessoa sofre diversos sintomas físicos e psíquicos. Por isso, o acompanhamento durante a interrupção do uso precisa ser intenso.

Logo quando se inicia o tratamento, o paciente passa por uma análise que inclui consultas com psicólogo, psiquiatra, clínico geral e outros profissionais de saúde.

Nesse primeiro momento, os profissionais analisarão a situação em que o paciente está, de forma física e mental. Essa consulta ajuda a entender qual a relação dele com as drogas, assim como o grau de comprometimento que a sustância causou.

Baseado nessa primeira análise de hábitos e consumos da droga, os profissionais elaboram o tratamento, específico e elaborado para cada caso.

Isso acontece porque cada pessoa pode estabelecer uma relação diferente com o consumo, mas também precisar de atenções diferentes de cada profissional.

Todos esses profissionais acompanharão diversos aspectos do dia a dia do paciente, indicando e controlando, conforme casa caso, por exemplo:

  • Alimentação;
  • Atividades físicas para melhorar sensação de bem-estar causada pela liberação de endorfina e serotonina
  • Exames clínicos com a situação corporal do paciente
  • Terapia para acompanhamento da situação psicológica 
  • Indicação de medicamentos

Psicoterapias

No tratamento também podem ser indicadas diversas terapias, por exemplo, terapia familiar, comportamental ou em grupo.

Essas terapias possuem a função de conseguir um equilíbrio emocional muito necessário no tratamento da dependência química. 

Com essas terapias tentamos:

  • Buscar moldar os pensamentos sobre os hábitos e a droga
  • Conversar com pessoas com o mesmo objetivo, além de entender um pouco da história de cada um, com reuniões monitoradas por profissional e
  • Como a família precisa saber lidar e buscar melhorar os conflitos por causa da dependência, assim como entender a doença e trabalhar para manter a pessoa limpa.

Também pode ser necessário usar medicamentos no tratamento

A crise de abstinência é muito forte, por isso, em algumas situações, os médicos indicam o uso de medicamentos para auxiliar no tratamento.

Os medicamentos usados são aqueles que ajudam a desintoxicar o organismo, também são prescritas para cada caso e administrados na terapia estratégica definida.

A crise de abstinência pode levar o dependente a ver a volta do uso como a única solução para acabar com os sintomas, por isso que é necessário acompanhamento integral para o controle dessas sensações e um tratamento mais efetivo.

Agora você já sabe que a crise deve ser tratada em um local especializado, como a Casa Despertar. Isso é o ideal porque, conforme sintomas descritos, podem causar sintomas psiquiátricos e distúrbios, que podem agravar a síndrome e levar a óbito.

Além disso, para passar por uma crise sem problemas, o ideal é contar com a ajuda de uma série de profissionais, que cuidarão da saúde física e mental do paciente. No entanto, também evitar trazer mais complicações e ainda tornar a desintoxicação mais efetiva.

Conhece alguém que quer parar com o consumo de substâncias químicas? Fale com a gente.

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