Ansiedade e depressão, qual a relação com o uso de drogas?

por Tauama de Moraes
CRP 11 - 07100

9,3% da população brasileira sofre de ansiedade, sendo o Brasil o país com o maior índice no mundo. A depressão também não fica atrás, cerca de 5,8% da nossa população tem depressão. Mas você sabia que esses transtornos estão muito ligados ao uso de drogas? Veja até o final deste artigo e descubra como.

O que é a ansiedade?

A ansiedade é uma reação comum em situações de dúvida, medo ou que gerem expectativa.

Quando se tem ansiedade diante de problemas ou expectativas reais, como uma entrevista de emprego, antes do resultado de uma prova, uma cirurgia ou o nascimento de um filho, ela é completamente normal, uma espécie de reação de preparo para o que virá.

Nesse caso, mesmo que a pessoa não consiga superar o “desafio” a ansiedade favorece a adaptação às novas situações.

No entanto, quando a ansiedade começa a vir de forma desproporcional aos acontecimentos, pode se tornar um “Transtorno de Ansiedade Generalizada”, considerada uma doença mental.

A TAG tem como característica a expectativa apreensiva ou preocupação excessiva, sendo difícil de controlar e persistente.

Ela pode vir seguida de irritabilidade, perturbação do sono, inquietação, tensão muscular e dificuldade de concentração.

Pode afetar pessoas de qualquer idade, do nascimento a velhice.

No caso da ansiedade, o abuso de drogas pode levar a pessoa a sofrer do transtorno, como também ter ansiedade pode fazer com que o indivíduo passe a usar drogas.

Sintomas de ansiedade

  • Tensão e nervosismo constantes;
  • Sensação de que algo ruim está para acontecer;
  • Pensamentos descontrolados e constantes sobre o problema;
  • Irritabilidade;
  • Insônia;
  • Agitação nos membros superiores e inferiores.

 O que é a depressão?

A depressão é uma doença psiquiátrica, caracterizada pela alteração de humor, incluindo profunda tristeza que não acaba e está associada com sentimentos de amargura, dor, desesperança, desencanto e baixa auto-estima.

Também ligada a culpa, distúrbio de apetite e sono.

Digamos que as pessoas normais passam por situações ruins, ficam tristes e sofrem, mas acabam superando.

No entanto, quando a pessoa tem depressão a tristeza não tem fim, mesmo que não aconteça nenhuma situação.

Ela fica deprimida por dias seguidos, perde o interesse pelas atividades que antes considerava prazerosa e não vê esperança de sair dessa situação.

Dentre as causas da depressão estão o uso de drogas lícitas, como o álcool por exemplo e drogas ilícitas, como a cocaína.

Sintomas da depressão

  • Apatia;
  • Dificuldade de concentração
  • Insônia;
  • Ansiedade;
  • Esquecimento;
  • Pessimismo ao extremo;
  • Aumento ou perda de apetite;
  • Indecisão.

Qual a relação da ansiedade e da depressão com as drogas

Como já falamos diversas vezes em nossos textos, as pessoas normalmente iniciam o uso de drogas para fugir ou lidar com situações e sentimentos.

Assim, as pessoas consomem as drogas para não passar por situações de estresse ou tristeza e isso acaba agravando ou trazendo alguns problemas, como a ansiedade e a depressão.  

Vários estudos tratam da relação entre drogas e doenças mentais, principalmente se você observar os efeitos, vamos usar alguns exemplos.

Cocaína: no caso da cocaína, pode induzir o indivíduo a ataques de pânico no uso, já em processo de abstinência, um dos efeitos colaterais é a ansiedade severa.

Álcool: o álcool age como depressor de humor, aumentando inclusive o risco de suicídio.

Durante a abstinência dele, o indivíduo tem sintomas parecidos com os da depressão, como tristeza e letargia.

Maconha: acredite, a depressão é comum em pessoas que usam essa droga, principalmente quando iniciam o uso desde cedo.  

O ecstasy também induz a ansiedade, pânico e despersonalização quando tomado em doses excessivas.

Algumas pesquisas sugerem que o uso da droga pode danificar os neurônios produtores de serotonina.

Algumas pesquisas também tratam de que a cocaína e a anfetamina podem induzir a depressão e ansiedades severas.

Outra ligação ocorrida com o uso da substância está relacionada aos efeitos da droga, justamente porque algumas delas tem efeito de depressor do humor, no caso do álcool por exemplo.

Até mesmo a maconha, que é uma droga relaxante, pode parecer boa para consumir para aliviar o estresse e ansiedade, no entanto, um estudo realizado pela Washington State University sugere que a longo prazo o consumo pode piorar as sensações de depressão.

Outro detalhe importante é que além das drogas poderem causar ou agravar as doenças, ele também pode retardar o tratamento de ambas.

A depressão e ansiedade estão diretamente relacionadas ao uso de substâncias, o vício pode levar as duas doenças e as duas doenças podem levar ao vício. Por isso, é necessário ter muito cuidado.

Assim, os problemas podem ser multiplicados para o dependente e para a família.

Fatores de risco para ansiedade e depressão

  • Uso de drogas;
  • Genética
  • Traumas na infância;
  • Personalidade;
  • Estresse.

Tratamento de dependentes químicos com depressão ou ansiedade

Pacientes que possuem caso de comorbidade, que é quando uma mesma pessoa possui duas doenças diferentes, porém relacionadas, como ansiedade e dependência química ou depressão e dependência química.

Normalmente para tratamento de dependência química é necessário compreender a origem de tudo.

Muitas vezes o gatilho é o mesmo para a dependência e para a ansiedade e depressão.

Antes de iniciar o tratamento, o paciente é acolhido e submetido a uma avaliação psiquiátrica de suma importância para o diagnóstico mental e para identificação de possíveis variáveis, para que assim o tratamento seja mais efetivo.

No atendimento, o profissional busca compreender qual a relação do dependente com as drogas, quais são seus padrões mentais de comportamento e qual a sua compreensão sobre o vício e sobre os fatores que o influenciam.

Depois da compreensão de todos os aspectos, como também da análise da situação mental do paciente e da sua relação com as drogas, o tratamento é indicado.

O tratamento é personalizado e passa por um período inicial, com as fases de desintoxicação, conscientização e reinserção social. O tratamento deve seguir conforme evolução do paciente.

Para a maioria dos tratamentos, é necessária a internação do paciente, no entanto, apenas o profissional, baseado na análise psiquiátrica, que poderá indicar o tratamento correto para o dependente.

Assim, as pessoas com depressão e ansiedade estão mais sujeitas a se tornarem dependentes químicos e dependentes químicos também estão mais propensos a adquirir outros transtornos mentais, como depressão e ansiedade.

Você é um dependente ou tem um dependente na família? A Casa Despertar é especializada e pode te ajudar com isso, entre em contato conosco.

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